domingo, 31 de janeiro de 2010

Férias Frustadas de Verão (2009)



[Representando os jovens de forma mais madura, novo projeto de Greg Mottola falha ao não conseguir alcançar a profundidade necessária]

Confesso que quando fui assistir a este Férias Frustadas de Verão a única informação que tinha eram aquelas que o trailer havia me fornecido. E, pelo menos pra mim, a expectativa era de mais uma comédia escrachada, bem ao estilo Superbad (que particularmente odiei). Porém, o filme acaba se desenvolvendo mais como um drama leve, com um certa dose de comédia.

James Brennan (Jesse Eisenberg) acaba de se formar no colégio e se prepara para uma viagem a Europa com amigos. Contudo, um problema financeiro na família o força a procurar emprego durante as férias para que possa pagar sua futura faculdade. James acaba conseguindo trabalho no parque de diversões Adventureland, onde acaba conhecendo Emily (Kristen Stewart), por quem se apaixona, numa relação que se mostrará extremamente intricada e complexa.

Sem os apelos de Superbad, Adventureland acaba retratando os jovens (ainda que da década de 80) de forma muito mais interessante, com uma boa história de fundo e personagens agradáveis, ainda que esteriotipados. Porém, o roteiro ainda se volta pra muitos clichês, criando uma história de romance piegas, além de situações chatas e previsíveis. Mesmo abordando questões pertinentes, como traição no casamento, conflito entre pais e filhos e drogas/bebidas de forma mais madura, o longa não alcança a profundidade necessária para atingir o espectador.

Jesse Eisenberg está muito bem, enquanto Kristen Stewart continua extremamente monótona e inexpressiva. Em relação aos coadjuvantes, destaque para Bill Hader, engraçadissimo, e Martin Starr, como o companheiro de trabalho de James, frustado e desiludido com sua vida e emprego. Ryan Reynolds, que poderia ser considerado o ator mais relevante do elenco, passa despercebido, ainda que possua certa importância na história.

No entanto, como disse anteriormente, minha crítica fica em relação a forma como o filme foi vendido. A maioria dos espectadores vai em busca de uma comédia adolescente (que com certeza atraia mais público) e acaba se deparando com um romance adolescente, mostrando mais drama que comédia. E neste ponto, os espectadores não estaram esperando por mensagens que a trama eventualmente irá trazer.

Contudo, Férias Frustadas de Verão ainda é um filme acima da média no seu gênero, ainda que engane seu espectador e seja superficial.. Não achei tudo aquilo que estão falando, mas ainda assim vale a pena assistir.

Nota: 6,0

Título Original: Adventureland
Direção: Greg Mottola
Gênero: Comédia, Romance, Drama
Duração: 107 min


sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Críticas Rápidas


Amantes (2008)

Amantes é um filme que despertou meu interesse à pouquíssimo tempo, devido principalmente as excelentes cotações agora no final de ano. E o filme é realmente uma pequena jóia. A trama é relativamente simples, mas os seus personagens conseguem lhe dar uma profundidade enorme. O destaque, sem dúvida nenhuma, é Joaquin Phoenix, numa das melhores performances individuais dos últimos anos. A construção do seu personagem é fantástica e junto dele compartilhamos as suas angústias, medos e incertezas. É um filme extremamente maduro, bem dirigido, sem clichês chatos e altamente envolvente.

Nota: 8,5

Título Original: Two Lovers
Direção: James Gray
Gênero: Romance, Drama
Duração: 110 min


À Deriva (2009)

Neste terceiro longa do diretor Heitor Dhalia (Nina, O Cheiro do Ralo), somos introduzidos a história de uma família aparentemente normal que, de certa forma, representa o modelo comum encontrado em nossa sociedade. Há o pai, a mãe, os filhos e tudo parece fluir muito bem. Porém, no intímo de suas relações surgem problemas que, de um hora pra outra, causam uma ruptura brusca na até então relação harmoniosa. Por meio dos olhos e sentimentos de Filipa (Laura Neiva), somos apresentados as suas emoções, dúvidas, e medos. Também por meio dela, assistimos o simbólico rito de passagem para a fase adulta, com o seu maior amadurecimento e auto-conhecimento. De forma geral, À Deriva é um filme relativamente simples, mas sensível, realista, com um fotografia magnífica e boas atuações (Vincent Cassel e Debora Bloch). Recomendo!

Nota: 7,5

Título Original: À Deriva
Direção: Heitor Dhalia
Gênero: Drama
Duração: 97 min

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Estréias da Semana (28/01 -> 04/02)





Elenco: Daniel Day-Lewis, Penélope Cruz, Nicole Kidman, Judi Dench, Marion Cotillard, Sophia Loren, Kate Hudson, Giuseppe Cederna, Elio Germano
Direção: Rob Marshall
Gênero: Musical
Distribuidora: Columbia Tristar
Sinopse: Paixão, fantasia, desejo, amor, arte, estilo, desilusões, sonhos: a vida sempre foi um grande circo para o cineasta de renome internacional da década de 60, Guido Contini... até que ele se torna a sua própria vítima no provocante e vibrante musical dramático, NINE.




Elenco: Emma Stone, Woody Harrelson, Jesse Eisenberg, Abigail Breslin, Bill Murray
Direção: Ruben Fleischer
Gênero: Terror
Distribuidora: Columbia Tristar
Sinopse: Misto de terror e comédia, o longa mostra a história de alguns sobreviventes que tentam sobreviver em um mundo infestado de zumbis sedentos de sangue.




Elenco: Mel Gibson, Ray Winstone, Bojana Novakovic
Direção: Martin Campbell
Gênero: Drama
Distribuidora: Imagem Filmes
Sinopse: Thomas (Mel Gibson) é um detetive policial que testemunha o assassinato da filha ativista na porta de sua casa. Perturbado pela perda e convencido de que ele era o alvo, Thomas parte para uma investigação obcecado por justiça. As evidências o levarão a descobrir um complexo esquema de corrupção envolvendo políticos e a indústria de armas nucleares norte americanas.





Elenco: Morgan Freeman, Matt Damon, Scott Eastwood, Langley Kirkwood, Robert Hobbs, Tony Kgoroge, Jason Tshabalala
Direção: Clint Eastwood
Gênero: Drama
Distribuidora: Warner Bros
Sinopse: Invictus acompanha o período em que Nelson Mandela (Morgan Freeman) sai da prisão em 1990 e torna-se presidente em 1994. Na tentativa de diminuir a segregação racial na África do Sul, o rugby é utilizado para tentar amenizar o fosso entre negros e brancos, fomentado por quase 40 anos. O jogador Francois Pienaar (Matt Damon) é o principal nome.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Gangues de Nova York (2002)


[Gangues de Nova York tem seus defeitos, mas é mais um excelente filme na lista de Scorcese]

Muito se falou à época que este Gangues de Nova York era uma empreitada descabida de Martin Scorcese para conseguir ganhar, finalmente, o seu tão sonhado Oscar (posteriormente ganho com Os Infiltrados). Ainda que este fato não agrade a todos, é preciso reconhecer que o resultado é um trabalho interessante e bem-feito.O filme não é nenhuma obra-prima em inovação, mas ainda assim é um belo épico, com um visual magnífico, boas atuações e agradável história.

Na Nova York do século XIX, diferentes gangues tomam conta da cidade, com destaque para os Nativistas (norte-americanos) e os Coelhos Mortos (irlandeses). Amsterdam Vallon (Leonardo DiCaprio) é um jovem que quer vingar a morte de seu pai, ex-líder dos Coelhos, que fora assassinado anos antes pelo líder dos Nativistas, Bill Cutting (Daniel Day-Lewis), quando ainda era criança. Depois de ficar preso na Irlanda por 16 anos, Amsterdam volta para "Cinco Pontas", onde pretende se vingar dos Nativistas e restaurar o poderio da gangue de seu pai.

Mostrando um parte da história dos EUA desconhecida de boas partes das pessoas, o filme consegue atiçar a nossa curiosidade para compreender como estes grupos funcionavam. E ele consegue de forma brilhante, mostrando a sua influência nas diversas camadas sociais e até mesmo na política. Ainda que em certos momentos este retrato seja excessivamente detalhista, são detalhes muitas vezes interessantes. Um exemplo é a cena da execução, que poderia ser facilmente simplificada para um mesmo entendimento, mas que se mostra curiosa e angustiante. Quem não for fã de filmes longos, pode se decepcionar, mas é visível que nenhuma das cenas é colocada ao acaso ou de forma inútil. Há um cuidado especial com cada uma delas.

Do outro lado da história, há a trajetória de redenção de Amsterdam. Ele chega a Nova York e se junta aos remanescentes do ex-grupo de seu pai, agora desfigurado e completamente subordinados aos Nativistas. Ao dar uma volta pra reviver seus tempos de infância, ele se depara com a mudança de caráter de diversos ex-membros do grupo, com destaque para Happy Jack (John C. Reilly). Nada é mais como era antigamente. Porém, Amsterdam tem a sorte de se tornar amigo proxímo de Bill, adquirindo a sua confiança e afeto. Isto se provará crucial para que consiga certa proteção, ainda que ele esteja mais suscetível a uma possível descoberta de sua verdadeira identidade.

Gangues de Nova York possui vários e bons personagens para as suas quase três horas de duração, todos interligados de forma pertinente. O destaque fica claro para o trio principal e para Jim Broadbent, como o Prefeito Tweed. Muito se questionou a participação de Cameron Diaz na história, mas para o bom roteiro proposto ela se mostra extremamente importante, constituindo-se no principal motivo da reviravolta principal do filme. O elenco, de forma geral, entrega boas atuações, com destaque total para Daniel Day Lewis, perfeito como Bill, o açougueiro.

É preciso ressaltar que além de um história de redenção, o filme traz também um retrato preciso da Nova York e dos EUA do século XIX. Desde a Guerra Civil Americana, com o confronto entre o Norte e o Sul, a questão da escravidão e do preconceito racial, a chegada dos irlandeses provenientes da metrópole Inglaterra, entre outras coisas. Tudo ressaltado pela excelente reconstituição de cenários e figurinos, num trabalho artístico fantástico.

Porém, muito se criticou o filme de Scorcese, por ser um longa supostamente feito para premiações. No entanto, apesar de isso ser parcialmente verdade, é preciso ressaltar que o trabalho tem muitas qualidades que, se analisadas isoladamente, resultam em um grande filme, muito bonito e agradável. As quase três horas podem realmente ter sido um exagero, mas é um presente pra quem gosta de filmes ricos em detalhes interessantes.

Nota: 8,5

Título Original: Gangs of New York
Direção: Martin Scorcese
Gênero: Ação, Drama
Duração: 166 min

domingo, 24 de janeiro de 2010

Regresso do Além (2009)




[Novo filme de Simon Baker possui boa premissa, mas falha no roteiro]

Este Regresso do Além é um filme que aparentemente recebeu pouquissima atenção pelo público, inclusive o americano. Apesar de sua estréia já ter ocorrido há alguns meses, poucas pessoas foram ao cinema conferir . Não é nenhuma obra-prima realmente, mas ainda assim possui um elenco razoável e uma trama interessante, muito melhor que vários porcarias que tão ai no cinema. A história consegue te prender, apesar de alguns problemas .

Jack Bishop (Simon Baker) é um pacato cidadão norte-americano, que vive sua vidinha com sua filha Toby (Chloe Moretz) e sua esposa Amaya (Paz Vega) no sul do Texas. Porém, tudo começa a mudar quando Toby é sequestrada de forma misteriosa. A partir deste ponto, inicia-se uma busca implacável, que se mostrara extremamente intricada e complexa, envolvendo ainda o passado de alguns dos personagens para solucionar o mistério.

O começo da história é meio morna, mas já te dá um lapso do que virá pela frente. De início somos introduzidos a uma cena que se mostrará extremamente importante para o entendimento do filme, apesar de aparentemente desconexa. Ela mostra um ritual e o início de um assassinato. Antes que esqueça, há a  participação de uma uma seita religiosa fictícia, apelidada de Santa Morte, que se constitui  basicamente na essência do filme. Depois, começa somos apresentados brevemente a vida de Jack na cidade de Del Rio, fronteira com o México. Após isso, com o sequestro da menina, inicia-se a parte interessante do filme, alternando bons e maus momentos.

Neste ponto, diria que o filme é pretensioso demais. Ele cria uma história até que bem intrigante e curiosa, envolvendo o passado obscuro dos personagens, com boas reviravoltas e surpresas. Mas, no geral, tudo acaba se tornando raso e mal desenvolvido, devido a algumas cenas e situações desnecessárias, além  de outras confusas e mal explicadas. Faltou um pouco mais de cuidado e dedicação dos roteiristas, pois o filme possui uma boa premissa. Situações como a do suspeito da van branca acabam apenas ocupando espaço de forma irrevelante, sem causar apreensão nenhuma. Por outro lado, o fato de Jack não ser de fato Jack e de não saber muita coisa sobre sua ex-esposa te deixa instigado e curioso. Os flashbacks que surgem repentinamente são importantissimos para o entendimento do filme e de seu final, é bom prestar atenção.

Quanto ao elenco, Simon Baker (The Mentalist) faz um papel apenas regular, que por hora convence com seu ar cruel, mas que desaponta com seu ar carinhoso. Paz Vega (Espângles) está bem e consegue passar para a tela o seu personagem de forma expressiva e convincente. A menina Chloe Moretz (que fez papel pequeno em 500 Dias com Ela) aparece pouco. Há, inclusive, personagens em excesso para o pouco tempo do filme.

Por fim, Regresso do Além é um filme apenas regular, com muitas falhas e buracos no roteiro. O longa ainda funciona bem como um thriller leve e pode agradar as pessoas se visto como uma fonte de entretenimento descompromissada, até pela sua curta duração. O filme requer bastante atenção do espectador para compreendê-lo, ainda que deixe muitos nós na cabeça após a sessão.

Nota: 5,5

Título Original: Not Forgotten
Direção: Dror Soref
Gênero: Suspense, Drama
Duração: 96 min

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