terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Gangues de Nova York (2002)


[Gangues de Nova York tem seus defeitos, mas é mais um excelente filme na lista de Scorcese]

Muito se falou à época que este Gangues de Nova York era uma empreitada descabida de Martin Scorcese para conseguir ganhar, finalmente, o seu tão sonhado Oscar (posteriormente ganho com Os Infiltrados). Ainda que este fato não agrade a todos, é preciso reconhecer que o resultado é um trabalho interessante e bem-feito.O filme não é nenhuma obra-prima em inovação, mas ainda assim é um belo épico, com um visual magnífico, boas atuações e agradável história.

Na Nova York do século XIX, diferentes gangues tomam conta da cidade, com destaque para os Nativistas (norte-americanos) e os Coelhos Mortos (irlandeses). Amsterdam Vallon (Leonardo DiCaprio) é um jovem que quer vingar a morte de seu pai, ex-líder dos Coelhos, que fora assassinado anos antes pelo líder dos Nativistas, Bill Cutting (Daniel Day-Lewis), quando ainda era criança. Depois de ficar preso na Irlanda por 16 anos, Amsterdam volta para "Cinco Pontas", onde pretende se vingar dos Nativistas e restaurar o poderio da gangue de seu pai.

Mostrando um parte da história dos EUA desconhecida de boas partes das pessoas, o filme consegue atiçar a nossa curiosidade para compreender como estes grupos funcionavam. E ele consegue de forma brilhante, mostrando a sua influência nas diversas camadas sociais e até mesmo na política. Ainda que em certos momentos este retrato seja excessivamente detalhista, são detalhes muitas vezes interessantes. Um exemplo é a cena da execução, que poderia ser facilmente simplificada para um mesmo entendimento, mas que se mostra curiosa e angustiante. Quem não for fã de filmes longos, pode se decepcionar, mas é visível que nenhuma das cenas é colocada ao acaso ou de forma inútil. Há um cuidado especial com cada uma delas.

Do outro lado da história, há a trajetória de redenção de Amsterdam. Ele chega a Nova York e se junta aos remanescentes do ex-grupo de seu pai, agora desfigurado e completamente subordinados aos Nativistas. Ao dar uma volta pra reviver seus tempos de infância, ele se depara com a mudança de caráter de diversos ex-membros do grupo, com destaque para Happy Jack (John C. Reilly). Nada é mais como era antigamente. Porém, Amsterdam tem a sorte de se tornar amigo proxímo de Bill, adquirindo a sua confiança e afeto. Isto se provará crucial para que consiga certa proteção, ainda que ele esteja mais suscetível a uma possível descoberta de sua verdadeira identidade.

Gangues de Nova York possui vários e bons personagens para as suas quase três horas de duração, todos interligados de forma pertinente. O destaque fica claro para o trio principal e para Jim Broadbent, como o Prefeito Tweed. Muito se questionou a participação de Cameron Diaz na história, mas para o bom roteiro proposto ela se mostra extremamente importante, constituindo-se no principal motivo da reviravolta principal do filme. O elenco, de forma geral, entrega boas atuações, com destaque total para Daniel Day Lewis, perfeito como Bill, o açougueiro.

É preciso ressaltar que além de um história de redenção, o filme traz também um retrato preciso da Nova York e dos EUA do século XIX. Desde a Guerra Civil Americana, com o confronto entre o Norte e o Sul, a questão da escravidão e do preconceito racial, a chegada dos irlandeses provenientes da metrópole Inglaterra, entre outras coisas. Tudo ressaltado pela excelente reconstituição de cenários e figurinos, num trabalho artístico fantástico.

Porém, muito se criticou o filme de Scorcese, por ser um longa supostamente feito para premiações. No entanto, apesar de isso ser parcialmente verdade, é preciso ressaltar que o trabalho tem muitas qualidades que, se analisadas isoladamente, resultam em um grande filme, muito bonito e agradável. As quase três horas podem realmente ter sido um exagero, mas é um presente pra quem gosta de filmes ricos em detalhes interessantes.

Nota: 8,5

Título Original: Gangs of New York
Direção: Martin Scorcese
Gênero: Ação, Drama
Duração: 166 min

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Críticas Rápidas

Primeiro Críticas Rápidas do blog . Apenas um comentário curto sobre alguns dos últimos filmes que assisti.


A Proposta (2009) 

Confesso que não sou muito fã deste gênero de comédias românticas. Tudo é sempre clichê e previsível e o màximo que se pode esperar são umas boas risadas e uma boa química do casol. No entanto, os poucos momentos engraçados e inspirados do filme não são suficiente pra compensar as mesmas chatices de sempre. Sandra Bullock força o seu papel como a editora megera e é Ryan Reynolds, por incrível que pareça, que proporciona um certo alento ao filme. Tinha ouvido bons comentários a respeito do filme e fui assistí-lo na esperança de me surpreender, o que infelizmente não aconteceu. É apenas mais um na lista. Filme totalmente dispensável.

Nota: 4,0

Título Original: The Proposal
Direção: Anne Fletcher
Gênero: Comédia / Romance
Duração: 108 min



Filmes representando fatos históricos são um dos meus favoritos. E quando a produção capricha de verdade , a experiência se torna ainda mais prazerosa. Com atuações excelentes e roteiro bem feito e objetivo, Frost/Nixon te prende e te deixa instigado do começo ao fim. Frank Langella está soberbo como o ex-presidente Richard Nixon e Michael Sheen muito bem como o entrevistador David Frost. O embate entre os dois é o ponto alto do longa, mas é muito interessante observar o esforço e o modo como os dois lados se preparam para a estrevista, em um evento que poderia parecer meramente comum para um espectador na TV. Méritos também para a ótima direção de Ron Howard. Enfim, filme altamente recomendável.

Nota: 8,5

Título Original: Frost/Nixon
Direção: Ron Howard
Gênero: Drama, Histórico
Duração: 122 min



Ta aí um filme que tava pra ver faz tempo. E é realmente uma grande obra, com mensagens muito bonitas e uma história marcante. Embora em certos momentos se torne cansativa, a câmera focada na visão de Bauby transmite de modo sublime os pensamentos e angústias do protagonista. E apesar de se valer mais dos monólogos e diálogos do que propriamente da interpretação, os personagens fazem uma marcante atuação, com destaque para a fonoaudióloga  Henriette (Marie-Josée Croze) e para a assistente Claude (Anne Consigny). No entanto, devo dizer que o longa não correspondeu totalmente as minhas expectativas, talvez por ser muito parado ou por não ter me emocionado tanto. Contudo, não deixa de ser um filme recomendável.

Nota: 7,5

Título Original: Le scaphandre et le papillon
Direção: Julian Schnabel
Gênero: Drama, Biografia
Duração: 112 min

blogger templates | Make Money Online