quinta-feira, 21 de julho de 2011

Longe do Paraíso (2002)



[Longe do Paraíso funciona como drama, mas ganha pontos pelo retrato social]

Em meados da década de 50, nos EUA, predominava na mídia a idéia do "American Way of Life" (o modo de vida americano), que seria marcado, entre outros, pela união familiar e pelo crescimento individual com dignidade. Esse conceito, importante meio propagandista para supostamente diferenciar o bloco socialista do capitalista, nos é apresentado desde o começo pelo "modelo" da família Whitaker. A mãe, Cathy (Juliane Moore), prima pela educação e pelos bons modos; enquanto o marido, Frank (Dennis Quad), é um homem bem-sucedido e que vem trabalhando para aumentar sua reputação dentro de sua empresa. Juntos, são uma referência para toda região de Hartford.

A quebra do prestígio dessa família, que ainda conta com dois filhos "exemplares", é um dos objetivos do diretor e roteirista Todd Haynes. Como bem diz o título, o que a trama irá nos mostrar é o outro lado da bonança, do louvor, do "paraíso". São pequenas reviravoltas que irão marcar a família e sua imagem pra o resto da comunidade. O estouro da "bolha" em que se encontravam expõe exatamente a contradição no interior dos personagens. É o conflito da aparência externa e da felicidade interna; do que os deixa satisfeitos e do que deixa os outros satisfeitos.

A temática escolhida pra mostrar esse conflito, que permeia os dois personagens principais, inclui dois temas fortes e de muitas ramificações. E é aqui que Todd Haynes e seu longa perdem alguns pontos de execução e roteiro. A trama, curta para o debate, por vezes deixa de aprofundar a questão, deixando algumas partes soltas e com aparência apressada. Ao invés de focar em uma, e deixar a outra para complemento, o diretor resolve tratar as duas de forma igual, com Cathy no meio, beirando a superficialidade. Ainda que cenas interessantes despontem a todo momento, fica a sensação de um vazio incômodo; um vazio passível de ser preenchido pelo contexto sólido da época.

Por fim, vale ressaltar alguns vários aspectos positivos do longa, como a brilhante atuação de Julianne Moore (que se supera) e a bela fotografia, até compatível com a vivacidade dos Whitaker. E não se engane com as minhas colocações no parágrafo anterior: Longe do Paraíso é um filme acima de média e que, onde perde em profundidade, ganha em interpretações e coragem por trazer estes temas para o grande público "mainstream". 

Nota: 7,0

Título Original: Far From Heaven
Direção: Todd Haynes
Gênero: Drama, Romance
Duração: 107 min

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Encontros e Desencontros (2003)


[O relacionamente humano em foco]

Antes de mais nada, este lindo de filme de Sofia Coppola é um retrato sobre a fragilidade humana, sobre a depêndencia que temos de uma companhia, de um apoio, de um suporte, enfim, de alguém com quem contar. Bob Harris (Bill Murray) é um homem bem-sucedido, ator de fama internacional, casado, com filhos, e leva uma vida supostamente idealizada por muitos. Contudo, lá no fundo, Bob anseia por algo diferente, algo que lhe tire de seu saturado casamento de 25 anos e de sua vida repleta de caprichos e bajulações. Algo que o faça esquecer de sua rotina nem que de forma passageira. E é na jovem Charlotte (Scarlett Johansson) que Bob encontra um escape, uma fuga de sua vida quase mecânica.

Ambos estão em Tóquio, a grande metrópole japonesa. Bob veio gravar um comercial de uísque contra sua vontade: motivos puramente financeiros. Charlotte veio acompanhar o trabalho do marido, fotógrafo de relativo sucesso, mas especialmente ausente e distante de sua referida esposa. Como passatempo, a menina  passeia pelas ruas da capital. Junto dela vai a câmera de Coppola, acompanhando-a em diferentes lugares, mostrando os diferentes nuances de uma sociedade muito diferente da ocidental. São cenas cotidianas, cenários esculturais e diferentes perspectivas sobre uma cultura notavelmente desconhecida à estrangeira, Bob, por outro lado, encontra dificuldades em relação ao fuso horário local, passando a maior parte de suas madrugadas no bar do hotel, bebendo.

E é neste triste e solitário ambiente que ambos se conhecem. Do melancolismo até então demonstrado pelos dois surge o carismático Bill e a simpática Charlotte. O que até então parecia uma estadia sem fim passa a se tornar, continuamente, em uma estadia prazerosa. A afinidade criada pelos dois desponta de maneira verossímil e de forma coerente com o belo desenvolvimento dos personagens. Da solidão dos dois, então, surge uma relação de amizade, e não de amor, sincera e convincente. E é neste ponto que o longa tem seus maiores trunfos. Apesar de não haver uma grande trama, é verdade, Encontros e Desencontros é uma obra extremamente despretensiosa, que demonstra uma sensibilidade pouca encontrada no cinema, com conjunturas e situações que o aproximam do espectador.

Sofia Coppola, em apenas seu segundo longa, se mostra uma diretora extremamente madura e inteligente, com um jeito de filmar delicado e diferente que não passa despercebido. Seu Encontro e Desencontros é uma ode as relações e sentimentos humanos e, desde já, uma pequena obra-prima, cuja validade deve vigorar por muito e muitos anos a vir.

Nota: 9,5

Título Original: Lost In Translation
Direção: Sofia Coppola
Gênero: Drama, Romance
Duração: 102 min

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Querido John (2010)


[ Um refresco no gênero romântico]

Querido John, novo filme do diretor sueco Lasse Hallstrom, é uma adaptação do livro homônimo de Nicholas Sparks sobre um jovem soldado, John (Channing Tatum), que tem de se separar de sua paixão, Savannah (Amanda Seyfried), para cumprir suas missões com o exército americano. O roteiro parece marcado: ambos se apaixonam, se separam e se reencontram depois de muito tempo para enfim ficarem , ou não, juntos. E o filme não foge muito disso. O que surpreende em Querido John é a forma madura com que o relacionamento é tratado, sem melodramas e pieguices que poderiam tornar o longa em mais um produto barato e descartável.

Não tive a oportunidade de ler o livro para comparar, mas me agradou muito a forma como histórias diferentes são inseridas na trajetória do casal. Há o pai de John, solitário e apaixonado por moedas. Há o vizinho de Savannah, Tim, e o seu filho autista, Alan, que são como uma família pra ela. Todos esses três personagens estão inseridos de forma pertinente no enredo do filme e são extremamente necessários pra conhecer um pouco da personalidade de John e Savannah. Enquanto John se mostra perturbado por alguns acontecimentos de sua infância, Savannah mostra-se uma menina altamente altruísta. 

O fato é que ambos se conhecem e se apaixonam durante as suas respectivas "férias" e vivem uma relação intensa durante duas semanas. Após isso, poucos são os momentos que passam juntos durante o longa. John tem de, mais de uma vez, cumprir serviço por um longo período, o que gera uma instabilidade natural na relação. Durante este tempo, a única fonte de comunicação entre os dois são pequenas e demoradas cartas. E é aí que o filme ganha um diferencial. Constantemente, por meio de narrações, somos apresentados a alguns desses escritos, que se se mostram extremamente eficientes pra passar a dor e o sentimento de ambos e também para retratar o modo como a distância e o tempo podem afetar uma relação.

É importante aqui dar um destaque para a brilhante atuação de Richard Jenkins como o pai de John. Jenkins literalmente rouba a cena, criando um personagem até mais interessante que os dois principais. Sua história diferente envolve facilmente e o seu Sr. Tyree acaba sendo o personagem de mais apelo emocional no longa. Os outros atores fazem sua parte e Amanda Seyfried mostra novamente que é mais que um rostinho bonito. Channing Tatum ainda tem muito a trabalhar, mas o seu frio John acaba não comprometendo tanto sua atuação.

De resto, Querido John ainda toca em assuntos como autismo e guerra. Em fato, esses são temas que recebem uma merecida atenção. A guerra, em particular, mostra como é díficil a separação, em uma situação que se mostrou extremamente comum nos últimos anos, especialmente se falando de EUA.

Por fim, é preciso reconhecer mais um bom trabalho de Hallstrom. A dinâmica do filme é muito boa e não chega a cansar. A ótima trilha sonora marca presença de novo, juntamente com  ótimas tomadas e cenários. Querido John pode não ser algo único, mas parece algo novo em vias do que vem aparecendo ultimamente no gênero. Pequenos excessos de dramaticidade e aceitáveis passagens desnecessárias não são suficiente pra tirar a força deste belo e envolvente romance.

Nota: 7,5

Título Original: Dear John
Direção: Lasse Hallström
Gênero: Romance, Drama, Guerra
Duração: 105 min

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O Lobisomem (2010)


[Nesta obra auto-intitulada O Lobisomem, o protagonista em si é a parte mais desinteressante do filme]

Neste novo longa do dirtor Joe Johnston (Jumanji, Jurassic Park III) temos a volta de um dos monstros mais populares do mundo para o cinema. Porém, não espere uma bela construção do personagem, com toda a mitologia em torno dele. Sim, ele ainda se transforma durante a lua cheia e é suscetível a objetos de prata. Contudo, neste longa o lobisomem em si acaba funcionando muito mais como uma máquina mortífera contínua, num roteiro chato, convencional e previsível.

Com um belo começo de filme, somos levados a Inglaterra do final do século XIX. Numa pequena cidade, o irmão de Lawrence Talbot (Benicio del Toro) é assassinado de forma misteriosa. Disposto a esclarecer as causas, ele se junta ao seu pai John (Anthony Hopkins) e a mulher do irmão Gwen (Emily Blunt) para descobrir que o responsável foi um lobisomem. Com isso, inicia-se uma busca e investigação por parte de Lawrence e da Scotland Yard, liderada por Abberline (Hugo Weaving), para acabar com o monstro.

Se procura um filme com bastante brutalidade, violência e sangue, O Lobisomem é uma boa pedida. Porém, se espera uma trama um mínimo envolvente ou bem bolada, não espere grande coisa. Johnston optou por um construir um filme descerebrado, que ainda peca nos poucos bons momentos de suspense e terror, não causando o arrepio necessário ou esperado. Falta (e muito) aquela expectativa e tensão típica dos filmes de horror.

A trama principal, apesar de promissora no início, mostra-se corrida e atropelada, apelando para soluções simplistas. Os bons flashbacks iniciais servem apenas como complementos a história, sem auxiliar num desenvolvimento mais denso do personagem. Os ciganos são mal aprovetados e os policiais excessivamente aproveitados. Algumas partes interessantes, como a do hospício, são mal desenvolvidas e deixam a desejar. O final é constrangedor e embaraçoso.

Os pontos realmente positivos do filme acabam sendo o seu belo visual e o seu respeitável elenco. A atmosfera criada é bem realista e bonita, com uma fotografia soberba e uma bela recriação de época. O elenco acaba sendo uma das alavancas do filme, com esperadas boas atuações, apesar do personagem de Emily Blunt se mostrar extremamente desnecessária.

Por fim, O Lobisomem acaba funcionando como uma longa e dispensável fonte de entretenimento. Está longe de ser marcante ou memorável e deve ser apenas mais um na lista de filmes de monstro esquecíveis.

Nota: 4,5

Título Original: The Wolfman
Direção: Joe Johnston
Gênero: Suspense, Terror
Duração: 102 min

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O Sequestro do Metrô (2009)


[Vazio e inconsistente no que se propõe, O Sequestro do Metrô se salva pelo personagem de John Travolta]

Nesta nova parceria do diretor Tony Scott (Top Gun, Déjà Vu) e do ator Denzel Washington, temos mais um longa policial bobinho, despretensioso e puramente comercial. Ainda que decepcione no que concerne a ação puramente dita, o filme se segura na interação contínua entre o personagem de Washington e Travolta.
O enredo do filme se passa em Nova York, onde um trem do metrô é sequestrado por um grupo criminoso. Grupo este que é liderado pelo misterioso Ryder (John Travolta) e que exige um alto pagamento em dinheiro para não executar os reféns. Do outro lado da negociação está o controlador de tráfego Walter Garber (Denzel Washington), que acaba se "envolvendo" com o bandido para resolver o problema.

Pode-se dizer que O Sequestro do Metrô acaba se desenvolvendo mais como um pequeno drama psicológico. De um lado temos o afetado Ryder, com um passado obscuro e muito rancor em seu coração; e do outro temos o humilde Garber, aparentemente um cidadão comum, mas com problemas judiciais a serem acertados. Durante boa parte do longa, somos constantemente apresentados ao embate entre os dois, em um processo que acaba por construir uma "sincera" relação de amizade entre ambos. Ainda que por hora estes diálogos soem forçados e sem propósito, muitos deles acabam por se tornar interessantes, abordando temos como religião, política e a sociedade de forma geral. É verdade que Scott por horas exagera na tentativa de humanizar ambos, achando justificativas baratas para os seus atos errados, mas, de todo modo, é este embate que segura o filme e o salva da mediocridade.

No que concerne a ação talvez esperada pelo espectador, O Sequestro do Metrô decepciona, e muito. Salvo um ou outro momento que realmente consegue gerar uma pequena tensão, o filme é marcado pela previsibilidade chata e convencional. Mesmo com o uso de alguns artifícios, como o relógio correndo e a constante pressão por parte do grupo, a adrenalina não chega a fluir no corpo, talvez devido aos mal representados reféns, sempre acomodados e sem transtornos; talvez a ineficiente trilha sonora, sempre importante nesses filmes; talvez as poucas (ou nenhuma) reviravoltas e sacadas inteligentes por parte dos roteiristas. Enfim, são vários os motivos.

Observando a parte positiva do filme, temos as atuações de Washington e Travolta, com o último surpreendendo pela energia que traz ao longa. Seu personagem é convincente, bem caracterizado e altamente expressivo quando deve.  Do outro lado, temos um já acostumado Denzel Washington, em um típico papel que já vimos ele exercer diversas vezes. É verdade que por oras realmente ele parece não se dedicar totalmente ao seu personagem, mas é preciso reconhecer o mérito de uma outra boa atuação. Por fora, ponto positivo para John Turturro.

Por fim, O Sequestro do Metrô é uma razoável e longa fonte de entretenimento, que desaponta por não alcançar um nível parecido de outros trabalhos semelhantes. O resultado não é satisfatório e definitivamente não corresponde as expectativas.

Nota: 4,0

Titulo Original: The Taking of Pelham 1 2 3 
Direção: Tony Scott
Gênero: Drama, Policial, Ação
Duração: 121 min

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Space Jam - O Jogo do Século (1996)


[Famosos personagens da Warner Bros trazem um filme extremamente simpático e divertido]

Hoje peguei tempo pra reassistir uma das minhas animações preferidas de todos os tempos. Space Jam é um filme extremamente divertido, engraçado e agradável, que funciona também como uma singela homenagem ao maior jogador de basquete de todos os tempos: Michael Jordan.

A história é relativamente simples e gira em torno da ajuda de Jordan aos Looney Tunes contra uma raça alienígena que pretende escravizá-los em um parque de diversões. E como se dá essa ajuda? Pensando estar em vantagem devido a baixa estatura dos inimigos, Pernalonga e sua turma conseguem convence-los de forma "brilhante" a jogar uma partida de basquete para decidir seu futuro. Porém, eles não contavam com os artíficios dos monstrinhos para tentar ganhar o jogo.

Intercalando a parte animada com a parte real, o filme deve agradar tanto a adultos quanto crianças. Há um bom equilíbrio, que proporciona boas cenas de ambos os lados. Michael Jordan não faz uma grande atuação (o que é compreensível), mas mostra ser um cara de bom humor e grande índole. A sua interação com os Looney Tunes é convincente e bem feita.

Os principais personagens são bastante conhecidos do público (Pernalonga, Patolino, Frajola, etc...) e, sem dúvida, acabam sendo realmente a melhor parte do filme. Sem forçar ou apelar, conseguem divertir com ótimas piadas e sacadas. Pouco assisti aos seus desenhos da TV, mas me surpreendi pelas boas cenas e diálogos, que se mostram muito acima da média do que se espera de uma animação. Me agradou também a forma como eles conseguem envolver todos os Looney Tunes, cada um com seu humor diferente. Do outro lado, os vilões do filme conseguem ser ao mesmo tempo agradáveis e repulsivos.

O elenco coadjuvante faz um papel pequeno, mas deve-se destacar as atuações de Bill Murray (Encontros e Desencontros), que rouba algumas cenas, e Wayne Knight (Seinfeld), com seu humor escrachado e divertido. As participações especiais de jogadores consagrados na NBA, como Charles Barkley e Patrick Ewing, é feita de forma pertinente e não como um meio de propaganda barata. O quinteto principal, inclusive, proporciona algumas das cenas mais engraçadas.

Por fim, é preciso destacar um dos principais atrativos da animação: a trilha sonora. Composta por hits, como Fly Like an Eagle, I Believe I Can Fly e também pelo seu tema (Space Jam Theme), cada uma faz a sua participação de forma especial e marcante.

A crítica aqui escrita pode soar um pouco positivista demais, mas deve-se levar em conta o impacto do longa em seu autor durante a infância e pelo fato de ele ser apaixonado por basquete também. Muitos podem apontar Space Jam como um filme exagerado e propagandista, o que é válido. Mas deve-se reconhecer que ele funciona como uma ótima fonte de entretenimento, que pode e deve agradar a todas as idades.

Nota: 9,0

Título Original: Space Jam
Direção: Joe Pytka
Gênero: Animação, Comédia
Duração: 87 min

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O Retorno de um Herói (2009)



[Filme que rendeu premiações a Kevin Bacon é um retrato exacerbado do nacionalismo norte-americano]

Kevin Bacon é um ator respeitado pelo seus colegas de trabalho. Já mostrou que é um ator competente em alguns trabalhos, mas nunca conseguiu se destacar como protagonista principal em uma grande produção. Em filmes marcantes, como Sobre Meninos e Lobos, seus personagens ficaram reduzidos a meros coadjuvantes. Nesta nova produção da HBO Films, Bacon tem um filme todo para si, que lhe rendeu, inclusive, um Globo de Ouro (por melhor ator em filme para televisão ou mini-série). Porém, este não deixa de ser um problema para ele. Sua divulgação ficou reduzida as televisões americanas, o que dificilmente tornará este filme marcante ou memorável, ainda que ele tenha uma grande atuação.

O filme é bem simples e se constitui na escolta, por parte do personagem de Bacon, Mike Strobl, de um soldado americano morto na Guerra do Iraque, Chance Phelps. A trajetória do longa é composta  basicamente pela viagem de Mike até a cidade natal do rapaz, mostrando o modo como são tratados os soldados mortos em combate e o suposto respeito com que os cidadãos norte-americanos tratam o ocorrido. Por horas, inclusive, parece funcionar como um pequeno documentário, mostrando quais são as imcumbências e responsabilidades por parte do Exército Americano, desde os tratos de seus restos mortais e pertences, até todos os caprichos durante a sua viagem de volta.

No entanto, foi uma boa idéia restringir este filme para o público americano, ja que este é claramente um filme feito para e somente para eles. O modo como o tema é tratado é exagerado, extremamente melodramatico e em certas partes risível. O Retorno de um Herói tenta humanizar, de certa forma, o absurdo que é a Guerra do Iraque, mostrando o suposto respeito do país com os seus "heróis". Heróis que só recebem o seu merecido respeito após a sua morte. A crítica aqui não é em relação a forma como acontece esta procisão pós-morte, mas sim ao modo como o filme funciona como uma propaganda pró-governo, pró-exército e pró-guerra, quando todos sabem que ela já se mostrou desnecessária, inútil e cheia de segundas intenções.

Durante a trajetória do filme, pequenos coadjuvantes esporádicos aparecem para fortalecer esta imagem do "patriotismo". Desde o motorista, passando pela funcionária do aeroporto e pela aeromoça, todos parecem se mover com a o trabalho de Mike, em cenas extremamente sentimentalóides e repulsivas. Todos se encantam por essa atitude, o que é compreensível, mas em nenhum momento o filme questiona o exército, o governo, mostrando apenas um lado da questão. Um roteiro parecido, mas com o embate entre os dois lados, questionando o porque de sua morte, se ela foi válida, seria extremamente mais interessante. Porém, tudo é feito de forma certinha, parecendo uma propaganda de recrutamento.

De forma geral, O Retorno de um Herói se salva pela atuação de Kevin Bacon. É um filme feito por americanos para americanos. Se analisado como uma obra isolada, sem relação com o contexto mundial atual, pode até agradar e encantar. Contuso, oss não é possível. A suposta homenagem com os soldados mortos é louvável, já que eles são os menos culpados por tudo isso. Porém, seria muito mais interessante fazer esta retratação de um modo pertinente; de um modo que levasse as pessoas a refletir e pensar.

Nota: 3,5

Título Original: Taking Chance
Direção: Ross Katz
Gênero: Drama
Duração: 77 min


terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O Homem que Copiava (2003)

 

[Jorge Furtado parte de uma situação comum pra criar uma história intrigante e envolvente]

O segundo longa do diretor Jorge Furtado (Houve Uma Vez Dois Verões) é um trabalho extremamente agradável, bem feito e engraçado. Conta com algumas pequenos problemas, é verdade, mas mostra que o Brasil pode realizar obras inteligentes e originais sem apelar para os mesmos temas batidos de sempre.

André (Lázaro Ramos) é um jovem de 19 anos, que trabalha como operador de fotocopiadora em um pequena loja em Porto Alegre. André vive sua vida de maneira ordinária, devido ao seu baixo salário, que não lhe permite fazer muitas coisas. Porém, tudo muda quando ele se apaixona por sua vizinha Silvia (Leandra Leal). A partir deste momento ele vê sua vida girar de cabeça pra baixo.

De início, já somos expostos a uma cena hilariante, que mostra bem a situação pela qual se passa o protagonista. André possui uma vida simples, e isso cria de imediato uma empatia com o espectador. Depois, somos continuamente apresentados a sua vida por meio de sua narração em off. Há o seu trabalho, a sua família, a sua vizinha, todos detalhados de forma divertida, mas por horas excessiva. A narração se mostra um bom instrumento para passar informações importantes e interessantes, mas o praticamente monólogo de André durante uma boa parte do filme chega a cansar e incomodar.

O Homem que Copiava se vale de um roteiro esquemático e de uma direção que usa artificios interessantes para construir e decorar a história. A montagem é fantástica e é bem claro que Jorge Furtado quis criar algo diferente. Isso se mostra no uso de alguns mecanismos curiosos, como o uso de pequenas animações para passar dados e detalhes divertidos, apesar de alheios a história principal. Se por hora somos apresentados a cenas e situações desnecessárias (como a tentativa de um final surpreendente, mas que não convence), por outra também somos apresentados a cenas que nos surpreendem positivamente, com suas situações impagáveis.

O elenco é um dos pontos altos do filme, com interpretações seguras e convincentes, além de ótimos diálogos. Lázaro Ramos passa para a tela de forma brilhante o jovem inseguro, ingênuo e desiludido. Luana Piovani surpreende, apesar de fazer um papel conveniente a ela, assim como Pedro Cardoso. Leandra Leal completa o quarteto principal, também muito bem.

Por fim, O Homem que Copiava é um bom filme brasileiro nas mãos de um diretores mais proeminentes no cenário nacional. É relativamente longo para o que se propõe, mas pode ser considerado um trabalho bem statisfatório.

Nota: 7,5

Título Original: O Homem que Copiava 
Direção: Jorge Furtado
Gênero: Comédia, Romance, Drama
Duração: 123 min

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Não é Mais um Besteirol Americano (2001)


[Parodiando filmes adolescentes das décadas de 80 e 90, o filme consegue divertir, ainda que não agrade a todos]

Antes de tudo, é preciso dizer que a tradução brasileira mais uma vez prejudicou  parcialmente a imagem de um filme para os espectadores daqui. Este não foi o único problema em sua divulgação (o poster é péssimo), mas ao lermos "Não é Mais um Besteirol Americano", há a impressão de que o filme faz sarro de filmes literalmente besteirois quando, na verdade, parodia filmes adolescentes famosos, que marcaram sua época, seja como comédia, romance ou drama. O filme possui muitas besteiras e algumas vulgaridades típicas, é verdade, mas as imitações de outros filmes são bastante engraçadas e sutis.

A história principal gira em torno da tentativa, por parte do popular Jake Wyler (Chris Evans), de transformar a isolada Janey Briggs (Chyler Leigh) na rainha do baile do colégio John Hughes. Por fora, ainda temos os três jovens nerds que querem perder a virginidade (Ox, Bruce e Mitch), a líder de torcida patricinha (Priscilla), o "token black guy" (Malik), o gordinho azucrinado, a garota popular malvada e diversos outros esteriótipos encontrados nestes tipos de filme. Porém, o longa não tenta ser extremamente apelativo ou forçado, como encontramos em algumas porcarias lançadas recentemente (Espartalhões, Liga da Injustiça, etc) fazendo boas sátiras, de modo a não desmerecer o filme representado.

A tentativa da fazer a menina isolada virar a rainha do baile é paródia de Ela é Demais. De American Pie, vem a cena inicial e o menino Ox (paródia do romântico Oz). De Segundas Intenções, a irmã que gosta do irmão. De 10 Coisa Que Eu Odeio em Você, a irmão que depende da irmã e o garoto do aplauso. Isso só pra citar alguns. Ainda há claras referências a Beleza Americana, Teenagers - As Apimentadas, Gatinhas & Gatões, Karatê Kid e diversas outras hilariantes, como nas menções a O Clube dos Cinco e Nunca Foi Beijada. As opções eram imensas, e o filme conseguiu reunir a essência de cada um desses ( e de outros), de modo a causar um reconhecimento  quase instântaneo por parte de quem já viu o filme.

O roteiro pode parecer o mais imbecil e simples possível, mas é extremamente engraçado e consegue unir os filmes de forma pertinente e, até diria, inteligente. Cada paródia tem uma cena especial para si, juntamente com outras clássicas do próprio filme, como número musical na formatura. Não é Mais um Besteirol Americano faz graça dos diversos clichês que são jogados na nossa cara nos filmes do gênero e, por mais que saibamos o que vem pela frente, ainda sim  conseguimos rir, já que o retrato é a mais pura verdade. Por horas pode exagerar de forma desnecessária (principalmente com Catherine), como nas cenas de conotação sexual e humor negro, mas é impressionante como o humor se mantem constante, com atuações decentes e boas sacadas dos roteiristas. As piadas funcionam de modo eficiente.

Porém, é natural reconhecer que este é um filme que não agrada a todos, principalmente aos não fãs de comédias escrachadas. Também pode ser chato pra quem não viu ou não sabe do que se trata os filmes satirizados. Contudo, isso não o impede também de ser altamente subestimado, pois já vimos o seu "irmão" Todo Mundo em Pânico fazer um imenso sucesso partindo da mesma premissa. Premissa essa que impediu Não é Mais um Besteirol Americano de se tornar um pequeno clássico da comédia, talvez por alguns pequeno exageros do longa em si mas, essencialmente, pela péssima divulgação e o consequente pré-conceito gerado em torno dele.

Nota: 7,5

Título Original: Not Another Teen Movie
Direção: Joel Gallen
Gênero: Comédia
Duração: 89 min

domingo, 31 de janeiro de 2010

Férias Frustadas de Verão (2009)



[Representando os jovens de forma mais madura, novo projeto de Greg Mottola falha ao não conseguir alcançar a profundidade necessária]

Confesso que quando fui assistir a este Férias Frustadas de Verão a única informação que tinha eram aquelas que o trailer havia me fornecido. E, pelo menos pra mim, a expectativa era de mais uma comédia escrachada, bem ao estilo Superbad (que particularmente odiei). Porém, o filme acaba se desenvolvendo mais como um drama leve, com um certa dose de comédia.

James Brennan (Jesse Eisenberg) acaba de se formar no colégio e se prepara para uma viagem a Europa com amigos. Contudo, um problema financeiro na família o força a procurar emprego durante as férias para que possa pagar sua futura faculdade. James acaba conseguindo trabalho no parque de diversões Adventureland, onde acaba conhecendo Emily (Kristen Stewart), por quem se apaixona, numa relação que se mostrará extremamente intricada e complexa.

Sem os apelos de Superbad, Adventureland acaba retratando os jovens (ainda que da década de 80) de forma muito mais interessante, com uma boa história de fundo e personagens agradáveis, ainda que esteriotipados. Porém, o roteiro ainda se volta pra muitos clichês, criando uma história de romance piegas, além de situações chatas e previsíveis. Mesmo abordando questões pertinentes, como traição no casamento, conflito entre pais e filhos e drogas/bebidas de forma mais madura, o longa não alcança a profundidade necessária para atingir o espectador.

Jesse Eisenberg está muito bem, enquanto Kristen Stewart continua extremamente monótona e inexpressiva. Em relação aos coadjuvantes, destaque para Bill Hader, engraçadissimo, e Martin Starr, como o companheiro de trabalho de James, frustado e desiludido com sua vida e emprego. Ryan Reynolds, que poderia ser considerado o ator mais relevante do elenco, passa despercebido, ainda que possua certa importância na história.

No entanto, como disse anteriormente, minha crítica fica em relação a forma como o filme foi vendido. A maioria dos espectadores vai em busca de uma comédia adolescente (que com certeza atraia mais público) e acaba se deparando com um romance adolescente, mostrando mais drama que comédia. E neste ponto, os espectadores não estaram esperando por mensagens que a trama eventualmente irá trazer.

Contudo, Férias Frustadas de Verão ainda é um filme acima da média no seu gênero, ainda que engane seu espectador e seja superficial.. Não achei tudo aquilo que estão falando, mas ainda assim vale a pena assistir.

Nota: 6,0

Título Original: Adventureland
Direção: Greg Mottola
Gênero: Comédia, Romance, Drama
Duração: 107 min


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Gangues de Nova York (2002)


[Gangues de Nova York tem seus defeitos, mas é mais um excelente filme na lista de Scorcese]

Muito se falou à época que este Gangues de Nova York era uma empreitada descabida de Martin Scorcese para conseguir ganhar, finalmente, o seu tão sonhado Oscar (posteriormente ganho com Os Infiltrados). Ainda que este fato não agrade a todos, é preciso reconhecer que o resultado é um trabalho interessante e bem-feito.O filme não é nenhuma obra-prima em inovação, mas ainda assim é um belo épico, com um visual magnífico, boas atuações e agradável história.

Na Nova York do século XIX, diferentes gangues tomam conta da cidade, com destaque para os Nativistas (norte-americanos) e os Coelhos Mortos (irlandeses). Amsterdam Vallon (Leonardo DiCaprio) é um jovem que quer vingar a morte de seu pai, ex-líder dos Coelhos, que fora assassinado anos antes pelo líder dos Nativistas, Bill Cutting (Daniel Day-Lewis), quando ainda era criança. Depois de ficar preso na Irlanda por 16 anos, Amsterdam volta para "Cinco Pontas", onde pretende se vingar dos Nativistas e restaurar o poderio da gangue de seu pai.

Mostrando um parte da história dos EUA desconhecida de boas partes das pessoas, o filme consegue atiçar a nossa curiosidade para compreender como estes grupos funcionavam. E ele consegue de forma brilhante, mostrando a sua influência nas diversas camadas sociais e até mesmo na política. Ainda que em certos momentos este retrato seja excessivamente detalhista, são detalhes muitas vezes interessantes. Um exemplo é a cena da execução, que poderia ser facilmente simplificada para um mesmo entendimento, mas que se mostra curiosa e angustiante. Quem não for fã de filmes longos, pode se decepcionar, mas é visível que nenhuma das cenas é colocada ao acaso ou de forma inútil. Há um cuidado especial com cada uma delas.

Do outro lado da história, há a trajetória de redenção de Amsterdam. Ele chega a Nova York e se junta aos remanescentes do ex-grupo de seu pai, agora desfigurado e completamente subordinados aos Nativistas. Ao dar uma volta pra reviver seus tempos de infância, ele se depara com a mudança de caráter de diversos ex-membros do grupo, com destaque para Happy Jack (John C. Reilly). Nada é mais como era antigamente. Porém, Amsterdam tem a sorte de se tornar amigo proxímo de Bill, adquirindo a sua confiança e afeto. Isto se provará crucial para que consiga certa proteção, ainda que ele esteja mais suscetível a uma possível descoberta de sua verdadeira identidade.

Gangues de Nova York possui vários e bons personagens para as suas quase três horas de duração, todos interligados de forma pertinente. O destaque fica claro para o trio principal e para Jim Broadbent, como o Prefeito Tweed. Muito se questionou a participação de Cameron Diaz na história, mas para o bom roteiro proposto ela se mostra extremamente importante, constituindo-se no principal motivo da reviravolta principal do filme. O elenco, de forma geral, entrega boas atuações, com destaque total para Daniel Day Lewis, perfeito como Bill, o açougueiro.

É preciso ressaltar que além de um história de redenção, o filme traz também um retrato preciso da Nova York e dos EUA do século XIX. Desde a Guerra Civil Americana, com o confronto entre o Norte e o Sul, a questão da escravidão e do preconceito racial, a chegada dos irlandeses provenientes da metrópole Inglaterra, entre outras coisas. Tudo ressaltado pela excelente reconstituição de cenários e figurinos, num trabalho artístico fantástico.

Porém, muito se criticou o filme de Scorcese, por ser um longa supostamente feito para premiações. No entanto, apesar de isso ser parcialmente verdade, é preciso ressaltar que o trabalho tem muitas qualidades que, se analisadas isoladamente, resultam em um grande filme, muito bonito e agradável. As quase três horas podem realmente ter sido um exagero, mas é um presente pra quem gosta de filmes ricos em detalhes interessantes.

Nota: 8,5

Título Original: Gangs of New York
Direção: Martin Scorcese
Gênero: Ação, Drama
Duração: 166 min

domingo, 24 de janeiro de 2010

Regresso do Além (2009)




[Novo filme de Simon Baker possui boa premissa, mas falha no roteiro]

Este Regresso do Além é um filme que aparentemente recebeu pouquissima atenção pelo público, inclusive o americano. Apesar de sua estréia já ter ocorrido há alguns meses, poucas pessoas foram ao cinema conferir . Não é nenhuma obra-prima realmente, mas ainda assim possui um elenco razoável e uma trama interessante, muito melhor que vários porcarias que tão ai no cinema. A história consegue te prender, apesar de alguns problemas .

Jack Bishop (Simon Baker) é um pacato cidadão norte-americano, que vive sua vidinha com sua filha Toby (Chloe Moretz) e sua esposa Amaya (Paz Vega) no sul do Texas. Porém, tudo começa a mudar quando Toby é sequestrada de forma misteriosa. A partir deste ponto, inicia-se uma busca implacável, que se mostrara extremamente intricada e complexa, envolvendo ainda o passado de alguns dos personagens para solucionar o mistério.

O começo da história é meio morna, mas já te dá um lapso do que virá pela frente. De início somos introduzidos a uma cena que se mostrará extremamente importante para o entendimento do filme, apesar de aparentemente desconexa. Ela mostra um ritual e o início de um assassinato. Antes que esqueça, há a  participação de uma uma seita religiosa fictícia, apelidada de Santa Morte, que se constitui  basicamente na essência do filme. Depois, começa somos apresentados brevemente a vida de Jack na cidade de Del Rio, fronteira com o México. Após isso, com o sequestro da menina, inicia-se a parte interessante do filme, alternando bons e maus momentos.

Neste ponto, diria que o filme é pretensioso demais. Ele cria uma história até que bem intrigante e curiosa, envolvendo o passado obscuro dos personagens, com boas reviravoltas e surpresas. Mas, no geral, tudo acaba se tornando raso e mal desenvolvido, devido a algumas cenas e situações desnecessárias, além  de outras confusas e mal explicadas. Faltou um pouco mais de cuidado e dedicação dos roteiristas, pois o filme possui uma boa premissa. Situações como a do suspeito da van branca acabam apenas ocupando espaço de forma irrevelante, sem causar apreensão nenhuma. Por outro lado, o fato de Jack não ser de fato Jack e de não saber muita coisa sobre sua ex-esposa te deixa instigado e curioso. Os flashbacks que surgem repentinamente são importantissimos para o entendimento do filme e de seu final, é bom prestar atenção.

Quanto ao elenco, Simon Baker (The Mentalist) faz um papel apenas regular, que por hora convence com seu ar cruel, mas que desaponta com seu ar carinhoso. Paz Vega (Espângles) está bem e consegue passar para a tela o seu personagem de forma expressiva e convincente. A menina Chloe Moretz (que fez papel pequeno em 500 Dias com Ela) aparece pouco. Há, inclusive, personagens em excesso para o pouco tempo do filme.

Por fim, Regresso do Além é um filme apenas regular, com muitas falhas e buracos no roteiro. O longa ainda funciona bem como um thriller leve e pode agradar as pessoas se visto como uma fonte de entretenimento descompromissada, até pela sua curta duração. O filme requer bastante atenção do espectador para compreendê-lo, ainda que deixe muitos nós na cabeça após a sessão.

Nota: 5,5

Título Original: Not Forgotten
Direção: Dror Soref
Gênero: Suspense, Drama
Duração: 96 min

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Anjos e Demônios (2009)




[Nova transposição de livro de Dan Brown peca pela falta de fidelidade com a sua obra original]

Assistir a um filme adaptado de um livro lido tem sempre suas vantagens e desvantagens. A vantagem é que é sempre prazeroso assistir os seus personagens e situações transportados para a telona. Também, por se conhecer previamente a história, pode-se acompanhar com mais atenção os detalhes, com o filme dificilmente se tornando confuso ou chato. A desvantagem é que, invariavelmente, estaremos esperando por um filme que consiga reproduzir o mais fielmente possível a trama original. Com isso, qualquer tipo de diferença notável pode levar a uma frustação precipitada, que não nos leva a apreciar completamente a obra. E Anjos e Dêmonios é extremamente infeliz neste aspecto. Devo dizer que assisti ao filme apenas um dia depois de terminar o livro, o que deixou as informações ainda mais frescas na memória. E a crítica aqui escrita leva em conta este aspecto.

Compreendo a dificuldade de repassar a quantidade de informações do livro de Dan Brown para a tela em "míseros" 138 minutos. É uma tarefa para poucos e reconheço o trabalho da produção para tentar realizar um filme que possa agradar tanto aos não-leitores como aos que já puderam apreciar esta fascinante obra. Porém, como leitor, a sensação após os créditos finais é um misto de satisfação e desapontamento. Satisfação pois, como dito anteriormente, é sempre agradável poder acompanhar a personificação (ainda que deturpada) do livro para a tela. Também é notável o trabalho para se criar uma trama com cenas de suspense e ação na medida correta, que ainda surpreende, mesmo já se sabendo qual será o seu desfecho final. E desapontamento, pois fica aquela a sensação de que falta algo a mais Sabe-se lá quando hávera outra adaptação de Anjos e Dêmonios para o cinema, o que nos leva a pensar: cadê o imponente Maximilian Kohler com seu amor a ciência? Cadê o frio e vingativo Hassasin (pessimamente representado)? Cadê o cauteloso Olivetti? Onde está os ousados repórteres Macri e Glick? E Leonardo Vetra? Todos estes personagens extremamente importantes no livro.

Não faço a mínima idéia de qual a sensação pós-filme de uma pessoa que nunca pode ler o livro. É bem possível que a tenha agradado, já que a trama traz uma história deveras interessante, com cenas intrigantes e que te prendem. Porém, não posso deixar de pensar que também possa ter parecido um filme extremamente apressado, com pouco desenvolvimento de seus personagens e informações escassas para compreender a obra em sua plenitude.  E, para mim, isso é fato: devido a extensão do livro, tudo é feito de forma simplista, o que torna as cenas altamente convenientes e não convincentes. Com certeza, preferia que não houvesse cenas tão arrastadas, como na Capela Ghighi, para dar lugar a uma maior detalhação dos fatos. Mas, infelizmente, ir direto ao ponto prejudicaria uma eventual tensão para que nunca leu o livro.

Contudo, é preciso reconhecer que houve pontos positivos no trabalho de Ron Howard e sua equipe. A principal, em minha opinião, é a bela representação do Vaticano e de seus monumentos. O cuidado com o cenário e o figurino é de encher os olhos. Também é boa a atuação de Tom Hanks e Ewan McGregor. O restante do elenco possui papel extremamente coadjuvante, sem papéis desafiadores ou necessidade de grandes interpretações. Uma delas, Vittoria Vetra, decepciona fortemente, já que, na obra original, possui importância extremamente alta, juntamente com Langdon. Seu personagem é posto completamente de lado.

Para concluir, devo dizer que a sensação é de que está é uma película dispensável. Por um lado, decepciona os fãs do livro com as alterações absurdas do roteiro original. Enquanto, por outro, cria uma história com roteiro simplista e pouco convincente, que não condiz com a genialidade da obra Dan Brown. Infelizmente, não posso fazer está análise sem levar a em conta a diferença enorme entre os dois. Sei que jamais será possível reproduzir de forma 100% fiel uma transposição como esta, mas já se provou em outros filmes que é possível realizar melhores trabalhos. No caso de Anjos e Dêmonios, era preferível a sua estada somente no papel.

Nota: 3,0

Titulo Original: Angels & Demons
Direção: Ron Howard
Gênero: Drama, Suspense
Duração: 138 min

domingo, 17 de janeiro de 2010

No Vale das Sombras (2007)


[Paul Haggis volta em alta, apoiando-se em boas atuações e ótimo roteiro]

Aproveitando-se de um intenso drama familiar, No Vale das Sombras usa de pano de fundo uma crítica contundente ao governo americano pelo envio de tropas ao Iraque e ao modo com ela altera a vida dos soldados e das pessoas em volta deles.

Hank Deerfield (Tommy Lee Jones) é um ex-sargente do exército americano, que tenta descobrir as causas da morte de seu filho, Mike, logo após ele retornar do Iraque. Ao lado da detetive Emily Sanders (Charlize Theron), eles tentam descobrir as causas deste estranho homício. Juntos, enfrentam a tudo e a todos para chegar ao verdadeiro motivo do crime.

O roteiro, inspirado em um artigo publicado numa revista americana, é cuidadoso e bem desenvolvido. Ele da a trama uma mostra bem clara dos efeitos traumáticos e psicológicos  do pós-guerra nos soldados e, por que não, em seus familiares. Também pelo personagem de Hank é feito um estudo minuncioso dos ideais de um homem e do modo como eles podem ser abalados pelo realidade nua e crua à sua volta. A maneira como ele percebe que nem mesmo seu filho Mike, educado rigorosamente por ele, estava totalmente "limpo" é um dos pontos altos do filme.

Muito se falou de suas performances e realmente o elenco é uma de suas principais atrações, com atores pra ninguém botar defeito. No entanto, muito também se falou de Tommy Lee Jones e, pessoalmente, não acho que está seja uma de suas melhores performances na carreira. Ele ainda segura com muita força e intensidade o papel, mas é Charlize Theron quem rouba a cena, numa atuação que eu diria quase perfeita. De resto, uma nota positiva para a boa (e pouca) participação de Susan Sarandon, como a mãe de Mike, além dos outros vários coadjuvantes "estrelas".

Falando agora especificamente da crítica por trás do filme, é bem claro a posição de Haggis quanto a guerra em cenas como a dos vídeos de Mike (muito boas por sinal) e, principalmente, a cena final. A guerra causa um baque psicológico enorme nos soldados, que chegam a torturar prisioneiros para "desestressar" um pouco. Por meio dos vários soldados do filme, com destaque para o cabo Penning, é possível ver como ela pode alterar o seu comportamento e atitude. A então idéia de Hank de que um soldado jamais seria capaz de atingir o outro mostra-se errônea.

De forma geral, No Vale das Sombras é um filme com um saldo altamente positivo e com uma história e mensagem extremamente pertinente. E mesmo aqueles não preocupados com isso, procurando apenas um filme que lhes dê entretenimento, não vão se desapontar com essa trama cheia de reviravoltas, drama e suspense.

Nota: 8,0

Título OriginalIn The Valley of Elah
Direção: Paul Haggis
Gênero: Drama
Duração: 121 min

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Os Indomáveis (2007)


[Falhas incompreensíveis no roteiro impedem o surgimento do que poderia ser um ótimo filme]

Não sou lá muito chegado em filmes de faroeste, até porque os poucos que vi não me agradaram muito. O que me fez ter vontade de assistir a este longa foi o seu elenco, de primeira linha, e a sua sinopse interessante.

Refilmagem do filme "Galante e Sanguinário" (que não assisti), da década de 50, a trama conta a história de Dan Evans (Christian Bale), um fazendeiro falido, ameaçado de perder suas terras para a construção de uma ferrovia. Evans vê a oportunidade de melhorar suas finanças ao receber a chance de escoltar o perigoso líder de uma gangue local, Ben Wade (Russel Crowe), até a cidade de Yuma, onde será embarcado num trem para ser julgado.

O começo da história é uma das melhores partes do longa, mostrando as dificuldades de Evans e os crimes da gangue. Porém, deste ponto, há o início de uma sequência de cenas que, pra mim, pareceram sem muita lógica. A partir do momento que Wade é capturado fica a sensação de que os cuidados em relação ao que deveria ser a prisão de um dos criminosos mais temidos do país é feito de maneira imcompátivel e desleixada. Também não convence nem um pouco o modo como ele mata 2 pessoas  do grupo e, aparentemente, não sofre nenhum tipo de punição. Ele é tratado como um deles. Tudo se passa como se nada tivesse acontecido, com ele continuando sendo sarcástico e irônico. Não há nenhum tipo de transtorno por parte dos outros personagens, o que mostra no mínimo uma construção psicológica fraca dos mesmos.

Contudo, é preciso também ressaltar os aspectos positivos do longa. De início, destacaria o belo cenário, juntamente com o ótimo figurino e maquiagem. Os Indomáveis nos transporta para o faroeste americano do século XIX de forma convincente e real, sem exageros. O filme também possui uma boa trilha sonora e ótimas diálogos, principalmente entre Evans e Wade.

A atuação também é boa, com destaque merecido para a dupla de protagonistas. Crowe é um dos meus atores preferidos e mais uma vez ele mostra um bom trabalho, passando para a tela um bandido convencido, destemido e com a língua afiadissíma. Bale é um ator que ganhou meu respeito depois assistir a alguns de seus trabalhos e mais uma vez ele está seguro. Os Indomáveis também possui diversos coadjuvantes importantes, de quem destaca-se Logan Lerman, como o filho de Evans, e Ben Foster (de Alpha Dog), como o cabeça direita da gangue de Wade.

Por fim, a cena final do filme é mais uma da qual fica um nó na cabeça. A forma como Wade supostamente fica mais bonzinho não convence e destoa totalmente da construção do personagem até então feita. Também é incômodo ver como o manco Evans consegue passar por mil tiros, levando seu prisioneiro até o trem. A tentativa de se criar um final digno para ambos vai por água baixo, devido a cena totalmente irreal e desvirtuada.

De forma geral, Os Indomáveis é um filme bonito, com boas cenas de ação e respeitáveis atuações, mas que peca pelos buracos no roteiro, que estragam totalmente a sua fluidez

Nota: 6,5
  
Título Original: 3:10 to Yuma
Direção: James Mangold
Gênero: Faroeste, Drama, Ação
Duração: 122 min

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Sempre ao seu Lado (2009)


[Apesar de pequenos defeitos, filme consegue divertir e emocionar] 

Tinha tudo pra ser apenas mais um filme chato e clichê sobre a relação entre um cachorro e seu dono. Só de olhar para o cartaz, já vem as lembranças de tantos outros filmes do tipo. No entanto, Sempre ao seu Lado  surpreende pela boa dose de diversão e pelo final emocionante. Isso, claro, com seus defeitos.

Hachiko é um cachorro da raça akita mandado do Japão aos Estados Unidos sem motivo aparente (uma das coisas sem sentido do filme). Na estação, ele cai da bagagem e é encontrado pelo professor de música Parker Wilson (Richard Gere). Surge então uma paixão à primeira vista, mesmo com as tentativas iniciais frustadas de sua mulher Cate (Joan Allen) de se livrar do cachorro. Os anos se passam e a relação entre os dois cresce, a ponto de Hachiko sempre acompanhar o dono na sua ida e volta do trabalho, na estação de trem. No entanto, Parker acaba por sofrer um ataque fulminante e morre, deixando Hachiko esperando durante longos anos na estação, na esperança de que o seu dono retorne.

Pelo fato de ser baseado em uma história real, o filme se torna interessante. Apesar do contexto totalmente diferente, é claro, ainda é possível ficar encantado com a relação entre Parker e Hachiko e é impossível não se emocionar com a perseverança do cachorro em ir até a estação pontualmente todos os dias, independente das adversidades. A trilha sonora, em especial, torna as cenas ainda mais tocantes.

Gere está seguro e convincente no papel do dono que se apega de verdade ao cachorro. Allen e sua filha Sarah Roemer não mostram a que veio. A última, em sua história desnecessária de relação com seu namorado, não deixam o filme ser levado totalmente a sério. Destaque positivo para os coadjuvantes Erick Avari, como o vendedor de cachorro-quente da estação, e para Jason Alexander (o inesquecível George, de Seinfeld) , como o funcionário da estação.

Contudo, o fato de Hollywood ter se aproveitado de uma história tão especial para os japoneses gera um incômodo. Seria o filme uma pura tentativa de lucro fácil em cima de uma uma história nada represantiva pra eles? Ou uma também tentativa de mostrar para o mundo a vida bonita desse cachorro tão especial? A primeira parece a mais provável, mesmo com os vários aspectos positivos do filme.

O verdaderto Hachiko nasceu na década de 20, no Japão. Sua história de perseverança chamou a atenção das pessoas, virando um símbolo nacional de lealdade. Hoje há uma estátua em sua homenagem na estação de Shibuya, Tóquio, onde ele esperou durante tanto tempo.

De qualquer modo, Sempre ao seu Lado não deixa de ser uma boa fonte de entretenimento nos seus curtos e rápidos 93 minutos. 

Nota: 7,0

Nome Original: Hachiko: A Dog's Story
Direção: Lasse Hallström
Genêro: Drama
Duração: 93 min

domingo, 10 de janeiro de 2010

Up - Altas Aventuras (2009)


[Up tenta ser original, mas cria história chata e enfadonha]

Acredito que todas as pessoas que vão assistir um filme da Pixar esperam uma animação bem feita, inteligente e com bons personagens. E isso não é por menos. A produtora é a grande responsável pelas últimas grandes animações mundiais, como Ratatouille, Wall-E e Os Incríveis, entre outras. Porém, analisando-se especificamente, fica bem claro que esta produção é um dos piores, se não o pior, trabalho da Pixar.

Carl Fredricksen é um aposentado, ex-vendedor de balões, que sonha com uma viagem para  a América do Sul. Desde sua infância, ele e sua falecida mulher desejavam fazer uma empreitada que os levasse ao Paraíso das Cachoeiras. E está oportunidade surge quando Carl se ve ameaçado de mudança para um asilo. Junto com o explorador da natureza, Russel, que entra na aventura por acidente, eles entram nessa jornada que os levará para um lugar com coisas que eles nunca imaginavam.

De início parece uma história no mínimo interessante, e com razão. O roteiro se aproveita de dois personagens carismático e com bom apelo ao público. O modo como se cria e se espera o embate entre estes dois tipos diferentes é um dos atrativos do filme. Contudo, toda a expectativa gerada em torno dela vai água abaixo devido as cenas chatas,exageradas e sem pé nem cabeça. Nenhum dos dois consegue se destacar como personagem. Por meio de Carl tenta-se mandar uma mensagem positiva de nunca desistir de seus sonhos, mas que terminam, contudo, com a não realização efetiva do seu.

O começo da animação é, com certeza, a melhor parte do longa. A história de vida de Carl é contada de modo sublime e, mesmo aparecendo pouco, sua esposa Ellie já é a melhor personagem do filme. No entanto, depois de sua morte, cria-se uma situação sem graça, que só piora quando Carl e Russel partem para a viagem. Desde ponto, começam a surgir cenas e personagens com a intenção de encantar e agradar o espectador, mas que só surpreendem de tão chato e ruim. São coadjuvantes banais e desconexos.

Porém, é preciso ressaltar de positivo o primoroso trabalho artístico e a ótima trilha sonora. Elas acabam sendo o grande alento do filme. É sempre encantador acompanhar a evolução das animações e o modo como elas são extremamente detalhadas e reais.

Contudo, Up é isso: uma tentativa de criar uma história original e divertida, mas que acaba se tornando infantil e monótona. A boa intenção, o grande trabalho técnico e as poucas boas cenas não condizem com a genialidade da Pixar, nessa desapontante animação.

Nota: 4,0

Título Original: Up
Direção: Pete Docter, Bob Peterson
Gênero: Animação
Duração: 96 min

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Busca Implacável (2008)


[Péssima história se sobressai às boas cenas de ação e adrenalina]
Após assitir este Busca Implacável, fica a sensação de que o que realmente importava eram as cenas de ação. E elas não deixam a desejar, constituindo a boa parte do filme. No entanto, esta mesma pressa em trazer a adrenalina para a tela, parece ter sido a responsável pela péssima história de fundo e pelas cenas altamente convenientes.

Bryan Mills (Liam Neeson) é um agente aposentado de uma agência de segurança americana. Ausente durante boa parte da infância de sua filha Kim (Maggie Grace), ele decide passar mais tempo com a filha, mesmo com a separação de sua mulher Lenore (Famke Janssen). Porém, durante uma viagem, a contragosto do pai, Kim é sequestrada por uma quadrilha de traficantes sexuais, Daí pra frente há o início da "busca implacável" de Bryan para resgatar sua filha.

Parece que tudo estava programado certinho desde o começo para acontecer. Desde a chegada das meninas a Paris, até a chegada do pai depois. Uma sequência de clichês sem fim, que se inicia já no começo do filme. Impressionante também como tudo que Bryan faz parece passar despercebido por outras pessoas, desde participar indiramente da morte de um dos traficantes numa via pública até a explosão de um cais. É certo que o filme não tinha a intenção de entrar nessas questões, mas um pouco mais de cuidado seria interessante.

Neeson é o único que se salva do elenco, como o pai que faria de tudo para achar a filha. E é um pena ver um ator do porte dele fazer filmes tão medianos. O resto do elenco nem precisa de comentários. Ponto negativo também para os escritores por tornarem as cenas tão convenientes, previsíveis e inverossímeis, insultando a inteligência do espectador. Cenas como a do sequestro, onde a filha esá conversando com o pai no momento certo, e o modo como eles descobrem TUDO sobre Peter apenas pela voz do walkie-talkie, são um exemplo.

Contudo, as cenas de ação dão um pouco de crédito ao filme. É certo que por nada desse mundo Bryan poderia morrer. Mas o modo como ele engana e mata pelo menos umas 30 pessoas no caminho dão a ação e o ritmo que o espectador poderia estar esperando. Detalhe: pessoas essas que trabalham como traficantes e seguranças e simplesmente não sabem atirar.

Busca Implacável é isso, um filme altamente ignorante e previsível, mas com uma boa dose de ação. Um filme que poderia ter sido muito melhor, se a história fosse ao menos convincente. 

Nota: 5,0

Título Original
: Taken
Direção: Pierre Morel
Gênero: Ação
Duração: 93 min


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