terça-feira, 9 de março de 2010

Críticas Rápidas


Distrito 9 (2009)

Distrito 9 é uma agradável e boa surpresa do ano passado, partindo de um diretor e roteirista iniciante e que ganhou, merecidamente, uma indicação a Melhor Filme no Oscar. O roteiro, sem dúvida nenhuma, é o principal destaque do longa, se mostrando extremamente inteligente, original e divertido. Seus personagens são muito bem desenvolvidos e o seu protagonista, Wikus (o também iniciante Sharlto Copley), entrega uma performance digna e que consegue cativar facilmente o público. A montagem, alternando cenas documentariais com a da trama principal, é fantástica e serve para adicionar ainda mais densidade ao filme. Além disso, Distrito 9 é, de certa forma, uma metáfora das relações e condições humanas e do modo como elas são concebidas no mundo atual. Enfim, uma grande obra de ficção científica e que ainda tem por trás da produção o grande Peter Jackson.

Nota: 8,5

Título Original: District 9
Direção: Neill Blomkamp
Gênero: Ficção, Ação, Suspense, Drama
Duração: 112 min



Goodbye Solo (2008)

Goodbye Solo é mais um exemplo de filme fantástico que passa desapercebido pelo grande público, seja pela falta de atrativos aparentes; seja pela péssima divulgação comercial. O fato é que este novo longa de Ramin Bahrani (Chop Shop) é uma belíssima retratação da sincera entre dois homens muito distintos e o modo como pequenas situações cotidianas podem mudar a vida de uma (ou várias) pessoas. O que é notável em Goodbye Solo é que o longa não se usa de apelos melodramáticos típicos ou de tentativas de lição de moral baratas. O que é retratado é a realidade, por mais dura que ela seja. De um lado temos o desesperançoso e solitário William (Red West) e do outro temos o otimista e alegre Solo (Souleymane Sy Savane). Com atuações fortes, impressionantes e convincentes, assistimos a esta construção de relação, que se mostrará extremamente envolvente e emocionante. Uma humanidade de encher os olhos.

Nota: 9,0

Título Original: Goodbye Solo
Direção: Ramin Bahrani  
Gênero: Drama, Comédia
Duração: 91 min

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O Sequestro do Metrô (2009)


[Vazio e inconsistente no que se propõe, O Sequestro do Metrô se salva pelo personagem de John Travolta]

Nesta nova parceria do diretor Tony Scott (Top Gun, Déjà Vu) e do ator Denzel Washington, temos mais um longa policial bobinho, despretensioso e puramente comercial. Ainda que decepcione no que concerne a ação puramente dita, o filme se segura na interação contínua entre o personagem de Washington e Travolta.
O enredo do filme se passa em Nova York, onde um trem do metrô é sequestrado por um grupo criminoso. Grupo este que é liderado pelo misterioso Ryder (John Travolta) e que exige um alto pagamento em dinheiro para não executar os reféns. Do outro lado da negociação está o controlador de tráfego Walter Garber (Denzel Washington), que acaba se "envolvendo" com o bandido para resolver o problema.

Pode-se dizer que O Sequestro do Metrô acaba se desenvolvendo mais como um pequeno drama psicológico. De um lado temos o afetado Ryder, com um passado obscuro e muito rancor em seu coração; e do outro temos o humilde Garber, aparentemente um cidadão comum, mas com problemas judiciais a serem acertados. Durante boa parte do longa, somos constantemente apresentados ao embate entre os dois, em um processo que acaba por construir uma "sincera" relação de amizade entre ambos. Ainda que por hora estes diálogos soem forçados e sem propósito, muitos deles acabam por se tornar interessantes, abordando temos como religião, política e a sociedade de forma geral. É verdade que Scott por horas exagera na tentativa de humanizar ambos, achando justificativas baratas para os seus atos errados, mas, de todo modo, é este embate que segura o filme e o salva da mediocridade.

No que concerne a ação talvez esperada pelo espectador, O Sequestro do Metrô decepciona, e muito. Salvo um ou outro momento que realmente consegue gerar uma pequena tensão, o filme é marcado pela previsibilidade chata e convencional. Mesmo com o uso de alguns artifícios, como o relógio correndo e a constante pressão por parte do grupo, a adrenalina não chega a fluir no corpo, talvez devido aos mal representados reféns, sempre acomodados e sem transtornos; talvez a ineficiente trilha sonora, sempre importante nesses filmes; talvez as poucas (ou nenhuma) reviravoltas e sacadas inteligentes por parte dos roteiristas. Enfim, são vários os motivos.

Observando a parte positiva do filme, temos as atuações de Washington e Travolta, com o último surpreendendo pela energia que traz ao longa. Seu personagem é convincente, bem caracterizado e altamente expressivo quando deve.  Do outro lado, temos um já acostumado Denzel Washington, em um típico papel que já vimos ele exercer diversas vezes. É verdade que por oras realmente ele parece não se dedicar totalmente ao seu personagem, mas é preciso reconhecer o mérito de uma outra boa atuação. Por fora, ponto positivo para John Turturro.

Por fim, O Sequestro do Metrô é uma razoável e longa fonte de entretenimento, que desaponta por não alcançar um nível parecido de outros trabalhos semelhantes. O resultado não é satisfatório e definitivamente não corresponde as expectativas.

Nota: 4,0

Titulo Original: The Taking of Pelham 1 2 3 
Direção: Tony Scott
Gênero: Drama, Policial, Ação
Duração: 121 min

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Gangues de Nova York (2002)


[Gangues de Nova York tem seus defeitos, mas é mais um excelente filme na lista de Scorcese]

Muito se falou à época que este Gangues de Nova York era uma empreitada descabida de Martin Scorcese para conseguir ganhar, finalmente, o seu tão sonhado Oscar (posteriormente ganho com Os Infiltrados). Ainda que este fato não agrade a todos, é preciso reconhecer que o resultado é um trabalho interessante e bem-feito.O filme não é nenhuma obra-prima em inovação, mas ainda assim é um belo épico, com um visual magnífico, boas atuações e agradável história.

Na Nova York do século XIX, diferentes gangues tomam conta da cidade, com destaque para os Nativistas (norte-americanos) e os Coelhos Mortos (irlandeses). Amsterdam Vallon (Leonardo DiCaprio) é um jovem que quer vingar a morte de seu pai, ex-líder dos Coelhos, que fora assassinado anos antes pelo líder dos Nativistas, Bill Cutting (Daniel Day-Lewis), quando ainda era criança. Depois de ficar preso na Irlanda por 16 anos, Amsterdam volta para "Cinco Pontas", onde pretende se vingar dos Nativistas e restaurar o poderio da gangue de seu pai.

Mostrando um parte da história dos EUA desconhecida de boas partes das pessoas, o filme consegue atiçar a nossa curiosidade para compreender como estes grupos funcionavam. E ele consegue de forma brilhante, mostrando a sua influência nas diversas camadas sociais e até mesmo na política. Ainda que em certos momentos este retrato seja excessivamente detalhista, são detalhes muitas vezes interessantes. Um exemplo é a cena da execução, que poderia ser facilmente simplificada para um mesmo entendimento, mas que se mostra curiosa e angustiante. Quem não for fã de filmes longos, pode se decepcionar, mas é visível que nenhuma das cenas é colocada ao acaso ou de forma inútil. Há um cuidado especial com cada uma delas.

Do outro lado da história, há a trajetória de redenção de Amsterdam. Ele chega a Nova York e se junta aos remanescentes do ex-grupo de seu pai, agora desfigurado e completamente subordinados aos Nativistas. Ao dar uma volta pra reviver seus tempos de infância, ele se depara com a mudança de caráter de diversos ex-membros do grupo, com destaque para Happy Jack (John C. Reilly). Nada é mais como era antigamente. Porém, Amsterdam tem a sorte de se tornar amigo proxímo de Bill, adquirindo a sua confiança e afeto. Isto se provará crucial para que consiga certa proteção, ainda que ele esteja mais suscetível a uma possível descoberta de sua verdadeira identidade.

Gangues de Nova York possui vários e bons personagens para as suas quase três horas de duração, todos interligados de forma pertinente. O destaque fica claro para o trio principal e para Jim Broadbent, como o Prefeito Tweed. Muito se questionou a participação de Cameron Diaz na história, mas para o bom roteiro proposto ela se mostra extremamente importante, constituindo-se no principal motivo da reviravolta principal do filme. O elenco, de forma geral, entrega boas atuações, com destaque total para Daniel Day Lewis, perfeito como Bill, o açougueiro.

É preciso ressaltar que além de um história de redenção, o filme traz também um retrato preciso da Nova York e dos EUA do século XIX. Desde a Guerra Civil Americana, com o confronto entre o Norte e o Sul, a questão da escravidão e do preconceito racial, a chegada dos irlandeses provenientes da metrópole Inglaterra, entre outras coisas. Tudo ressaltado pela excelente reconstituição de cenários e figurinos, num trabalho artístico fantástico.

Porém, muito se criticou o filme de Scorcese, por ser um longa supostamente feito para premiações. No entanto, apesar de isso ser parcialmente verdade, é preciso ressaltar que o trabalho tem muitas qualidades que, se analisadas isoladamente, resultam em um grande filme, muito bonito e agradável. As quase três horas podem realmente ter sido um exagero, mas é um presente pra quem gosta de filmes ricos em detalhes interessantes.

Nota: 8,5

Título Original: Gangs of New York
Direção: Martin Scorcese
Gênero: Ação, Drama
Duração: 166 min

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Os Indomáveis (2007)


[Falhas incompreensíveis no roteiro impedem o surgimento do que poderia ser um ótimo filme]

Não sou lá muito chegado em filmes de faroeste, até porque os poucos que vi não me agradaram muito. O que me fez ter vontade de assistir a este longa foi o seu elenco, de primeira linha, e a sua sinopse interessante.

Refilmagem do filme "Galante e Sanguinário" (que não assisti), da década de 50, a trama conta a história de Dan Evans (Christian Bale), um fazendeiro falido, ameaçado de perder suas terras para a construção de uma ferrovia. Evans vê a oportunidade de melhorar suas finanças ao receber a chance de escoltar o perigoso líder de uma gangue local, Ben Wade (Russel Crowe), até a cidade de Yuma, onde será embarcado num trem para ser julgado.

O começo da história é uma das melhores partes do longa, mostrando as dificuldades de Evans e os crimes da gangue. Porém, deste ponto, há o início de uma sequência de cenas que, pra mim, pareceram sem muita lógica. A partir do momento que Wade é capturado fica a sensação de que os cuidados em relação ao que deveria ser a prisão de um dos criminosos mais temidos do país é feito de maneira imcompátivel e desleixada. Também não convence nem um pouco o modo como ele mata 2 pessoas  do grupo e, aparentemente, não sofre nenhum tipo de punição. Ele é tratado como um deles. Tudo se passa como se nada tivesse acontecido, com ele continuando sendo sarcástico e irônico. Não há nenhum tipo de transtorno por parte dos outros personagens, o que mostra no mínimo uma construção psicológica fraca dos mesmos.

Contudo, é preciso também ressaltar os aspectos positivos do longa. De início, destacaria o belo cenário, juntamente com o ótimo figurino e maquiagem. Os Indomáveis nos transporta para o faroeste americano do século XIX de forma convincente e real, sem exageros. O filme também possui uma boa trilha sonora e ótimas diálogos, principalmente entre Evans e Wade.

A atuação também é boa, com destaque merecido para a dupla de protagonistas. Crowe é um dos meus atores preferidos e mais uma vez ele mostra um bom trabalho, passando para a tela um bandido convencido, destemido e com a língua afiadissíma. Bale é um ator que ganhou meu respeito depois assistir a alguns de seus trabalhos e mais uma vez ele está seguro. Os Indomáveis também possui diversos coadjuvantes importantes, de quem destaca-se Logan Lerman, como o filho de Evans, e Ben Foster (de Alpha Dog), como o cabeça direita da gangue de Wade.

Por fim, a cena final do filme é mais uma da qual fica um nó na cabeça. A forma como Wade supostamente fica mais bonzinho não convence e destoa totalmente da construção do personagem até então feita. Também é incômodo ver como o manco Evans consegue passar por mil tiros, levando seu prisioneiro até o trem. A tentativa de se criar um final digno para ambos vai por água baixo, devido a cena totalmente irreal e desvirtuada.

De forma geral, Os Indomáveis é um filme bonito, com boas cenas de ação e respeitáveis atuações, mas que peca pelos buracos no roteiro, que estragam totalmente a sua fluidez

Nota: 6,5
  
Título Original: 3:10 to Yuma
Direção: James Mangold
Gênero: Faroeste, Drama, Ação
Duração: 122 min

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Busca Implacável (2008)


[Péssima história se sobressai às boas cenas de ação e adrenalina]
Após assitir este Busca Implacável, fica a sensação de que o que realmente importava eram as cenas de ação. E elas não deixam a desejar, constituindo a boa parte do filme. No entanto, esta mesma pressa em trazer a adrenalina para a tela, parece ter sido a responsável pela péssima história de fundo e pelas cenas altamente convenientes.

Bryan Mills (Liam Neeson) é um agente aposentado de uma agência de segurança americana. Ausente durante boa parte da infância de sua filha Kim (Maggie Grace), ele decide passar mais tempo com a filha, mesmo com a separação de sua mulher Lenore (Famke Janssen). Porém, durante uma viagem, a contragosto do pai, Kim é sequestrada por uma quadrilha de traficantes sexuais, Daí pra frente há o início da "busca implacável" de Bryan para resgatar sua filha.

Parece que tudo estava programado certinho desde o começo para acontecer. Desde a chegada das meninas a Paris, até a chegada do pai depois. Uma sequência de clichês sem fim, que se inicia já no começo do filme. Impressionante também como tudo que Bryan faz parece passar despercebido por outras pessoas, desde participar indiramente da morte de um dos traficantes numa via pública até a explosão de um cais. É certo que o filme não tinha a intenção de entrar nessas questões, mas um pouco mais de cuidado seria interessante.

Neeson é o único que se salva do elenco, como o pai que faria de tudo para achar a filha. E é um pena ver um ator do porte dele fazer filmes tão medianos. O resto do elenco nem precisa de comentários. Ponto negativo também para os escritores por tornarem as cenas tão convenientes, previsíveis e inverossímeis, insultando a inteligência do espectador. Cenas como a do sequestro, onde a filha esá conversando com o pai no momento certo, e o modo como eles descobrem TUDO sobre Peter apenas pela voz do walkie-talkie, são um exemplo.

Contudo, as cenas de ação dão um pouco de crédito ao filme. É certo que por nada desse mundo Bryan poderia morrer. Mas o modo como ele engana e mata pelo menos umas 30 pessoas no caminho dão a ação e o ritmo que o espectador poderia estar esperando. Detalhe: pessoas essas que trabalham como traficantes e seguranças e simplesmente não sabem atirar.

Busca Implacável é isso, um filme altamente ignorante e previsível, mas com uma boa dose de ação. Um filme que poderia ter sido muito melhor, se a história fosse ao menos convincente. 

Nota: 5,0

Título Original
: Taken
Direção: Pierre Morel
Gênero: Ação
Duração: 93 min


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